Disfunção eréctil masculino: Moçambique introduz pela primeira vez a cirurgia para o seu tratamento

Por: Severino Ngole

Será que perdi a minha masculinidade com os meus problemas periódicos e recorrentes de perda da erecção? Uma pergunta que tem assombrado um número infinito de homens e rapazes que sofrem de problemas de disfunção no aparelho reprodutivo masculino (disfunção eréctil/impotência). A questão da virilidade (desejo e apetite sexual dos homens) e controle da actividade sexual constituem alguns determinantes da masculinidade, ou seja de ser homem, que influenciam muito na percepção sobre a disfunção eréctil nos homens e rapazes.

Transformar os conceitos e práticas de masculinidades, pode ajudar a influenciar no sentido positivo a promoção da igualdade de género, nos direitos sexuais e reprodutivos, na saúde masculina e no combate a violência baseada no género. A abordagem sobre as masculinidades transformativas constitui um desafio de todos nós, envolvem questões de mudança de comportamento e provimento de serviços, dai que para o seu sucesso, haja a necessidade da participação de todos: sociedade/comunidade, família, indivíduo, instituições sociais e sistemas (serviços, estratégias, políticas, leis, etc).

Neste contexto, o Ministério da Saúde (MISAU), introduziu recentemente no Hospital Central de Maputo (HCM), serviços de tratamento da impotência sexual masculina, um problema que afecta muitos homens em Moçambique, que até ao momento era tratada com recurso a medicamentos como a viagra.

Disfunção eréctil é a incapacidade de obter e manter a erecção do pénis suficiente para uma relação sexual satisfatória. Existe a presença do desejo sexual no indivíduo mas sem a correspondente erecção do pénis. As causas da disfunção eréctil são diversas, podendo ser de origem hormonal, neurológica ou vascular, mas na sua maioria são de origem psicológica.

A cirurgia para a disfunção eréctil é realizada pelo serviço de urologia. A cirurgia consiste na colocação de próteses no pénis, porém, ela ainda não é acessível à todas as pessoas devido aos elevados custos financeiros, que são estimados entre cinco a trinta mil dólares norte-americanos segundo o sector de saúde. Esta técnica cirúrgica permite que os indivíduos que não tenham a erecção possam tê-la e satisfazerem os/as seus parceiros/as sexuais e a si mesmo.

O tratamento através da cirurgia a disfunção eréctil só foi recentemente (Abril de 2015) implementada em Moçambique pelo Sistema Nacional de Saúde (SNS) e não de forma regular, devido ao seu elevado custo financeiro. Embora esta técnica venha sendo aplicada há já algumas décadas em outros países tais como a África do Sul.