Região Norte de Moçambique e província de Gaza recebe Programa de Media da HOPEM

Por: Cremildo Churane

O programa de Media da Rede HOPEM concretamente, na componente de formação de comunicadores em Género, Masculinidades e Media promoveu uma formação para 34 comunicadores repartidos pela região Norte de Moçambique e província de Gaza. A formação no Norte de Moçambique teve lugar na cidade de Nampula entre os dias 11 e 12 de Dezembro corrente e contou com a participação de jornalistas da imprensa escrita e locutores de rádios comunitárias, provenientes das províncias de Cabo Delgado, Niassa e Nampula respectivamente.

 

Para além de participarem comunicadores das cidades capitas participaram também comunicadores de alguns distritos destas três províncias, como são os casos de Nacala, Mecomia, Balama e Cuamba. Enquanto na província de Gaza a formação decorreu entre os dias 5 e 8 de Dezembro, tendo participado locutores e jornalistas da cidade de Xai-Xai e dos distritos circunvizinhos de Macia e Chibuto.  

Estas duas formações marcam o início da expansão do programa de media para as restantes províncias do país fora de Maputo Cidade, e a sua realização nestes dois pontos, é importante porque, Gaza é conhecida pelo predomínio dos valores, normas e das tradições que reforçam as masculinidades prejudiciais que subalternização as mulheres e tornam os homens menos favoráveis ao equilíbrio de género, como sublinha a participante Ana Seuana do Instituto de Comunicação de Gaza “esta formação trouxe ganhos para mim, sobretudo no que toca as masculinidades, porque para além de criar em mim o desejo de fazer um programa sobre assuntos de género, tenho também sensibilizado meu irmão, que não aceita fazer trabalhos domésticos, só porque é homem, para que mude essa atitude mas não está sendo fácil mudar o seu comportamento”.


Nampula a seguir a Maputo cidade, segundo dados de 2013 do Ministério de Interior, é onde há maior incidência de violência doméstica (15,7%), por isso a incorporação de formações, com abordagem de género, pode contribuir para minimizar a ocorrência de violência. Nesta perspectiva o participante Felizardo Ncono do jornal Quissamajulo de Nacala, acha que a formação veio no melhor momento “esta formação veio fortalecer as minhas convicções sobre o equilíbrio de género e farei o que estiver ao meu alcance para que a instituição abrace a causa e incorpore a perspectiva de género como prática no seu seio.

A formação para além de prover os comunicadores de conhecimento, pretende que eles façam a difusão da abordagem de género nos meios de comunicação social, para que se adopte novas masculinidades na sociedade como assevera Ncono “a mudança de comportamento leva tempo, um primeiro passo, seria nós como comunicadores difundirmos a informação sobre as masculinidades e género, assim estaríamos a combater a violência, porque ainda temos muitas pessoas que toleram-na como meio de educar”.

Santos Felisberto do jornal Catembe de Lichinga, no Niassa corrobora com Ncono ao referir que “o processo leva tempo, a mudança depende de nós mesmos, não devemos cruzar os braços, devemos mostrar que esta prática não é correcta, devemos difundir nos espaços radiofónicos, televisivos e nos jornais esta mensagem. Deve existir um trecho em qualquer meio que difunda a mensagem pró igualdade de género.

A expansão do programa de media é um passo importante para que comunicadores de outras parcelas do país fora de Maputo adquiram habilidades sobre assuntos relevantes a importância do engajamento masculino na igualdade de género para que tenhamos a paz em casa e a paz no mundo.
É preciso referenciar que a formação em Nampula foi realizada em parceria com a IREX-Moçambique no âmbito do seu programa de fortalecimento de media.