O cenário que se vive actualmente

Por Yolanda Sithoe

Um texto bastante interessante e que de certa forma, espelha o cenário que começamos a viver actualmente em Moçambique.

 

Hoje as mulheres têm se preocupado muito com o seu corpo, seu tamanho. Por mim, de certa forma até é bom, se isso de facto fizessem apenas para se agradarem e manter a sua autoestima.  O que acontece é que começamos a definir um tipo de mulher moçambicana (aquela que tem um corpo esbelte e com curvas bem salientes).  Isto faz-se sentir muito quando vemos o tipo de publicidade que o media faz. De lembrar que há pouco tempo houve uma discussão entre as organizações da sociedade civil e uma empresa de venda de cerveja com relação a uma publicidade promovida por esta ultima. Na publicidade aparecia o corpo de uma mulher, com todos aspectos físicos que falei acima, a descrever como a cerveja preta era boa: “esta preta é mesmo boa”. Como se o ideal da mulher fosse apenas o atributo físico que ela possa possuir.  E sem falar também das outras várias publicidades e vídeos de músicas em que aparecem as mulheres a exibirem o seu corpo e mais uma vez aqui, o critério é se ela tem um bom peito, e curvas, para demonstrar que este é o ideal de mulher.

Nos países Ocidentais e não só, a preocupação com dietas, pequenas cirurgias para aumentar, retirar ou diminuir alguma parte do corpo que parece imperfeita é comum.  E isso afecta o modo como a sociedade passa a criar o modelo da mulher ideal. Em Moçambique já começam a surgir clínicas onde se fazem pequenas cirurgias para corrigir algumas “imperfeições” do corpo.

Seguindo a linha de pensamento de Bourdieu (1980) de facto o corpo, tamanho ideal exerce uma violência simbólica onde as mulheres, longe de se preocuparem com o seu corpo apenas para elevar a sua auto estima, fazem-no para o outro, para a sociedade, e principalmente para satisfazer o ego dos homens.

Acrescentar ainda que, temos alguns rituais em algumas culturas de Moçambique como a prática dos alongamentos vaginais inserido no contexto dos ritos de iniciação. Esta prática é submetida à rapariga a partir dos 7 e 8 anos com o intuito de desenvolver nela estratégias de sedução e segurança na relação sexual e no casamento. No entanto, esta prática, longe de criar estratégias de auto satisfação,  pela maneira como são administradas e pelo conteúdo que é ensinado às meninas na altura dos ritos de iniciação, fazem com que sirvam como estratégias para apenas dar prazer ao homem. Assim, mais uma vez a mulher passa a ser encarada como um mero objecto sexual.

Infelizmente é assim como as coisas ocorrem, e as mulheres cada vez mais vão se submetendo a esta pressão social que é exercida sobre elas.